Adegas de Menorca e o Gin Xoriguer: Visitas com Prova
A destilaria Xoriguer em Maó e as adegas de Menorca com visita e prova: Binifadet, Binitord, Sa Forana, Sant Patrici. O que se vê, preços e horários.
Um dia de chuva de outono em Menorca tem uma vantagem sobre um dia de praia de agosto: dá para passar a tarde numa adega sem culpa. A ilha tem uma destilaria de gin com mais de cem anos, no cais de Maó, e uma dúzia de adegas de vinho que renasceram nas últimas décadas — várias com visita e prova dentro de portas.
É um plano de adultos, obviamente, e é dos melhores da ilha quando o tempo não deixa fazer mais nada.
A destilaria Xoriguer, no porto de Maó
Mesmo no cais de Maó, no Moll de Ponent, a Xoriguer faz o gin da ilha desde 1910 em alambiques de cobre aquecidos a lenha. A história vem de mais atrás: os britânicos, que dominaram Menorca durante quase todo o século XVIII, trouxeram o gosto pelo gin, e os menorquinos passaram a destilá-lo com aguardente de vinho em vez de cereal — o que faz do Gin de Mahón um gin diferente, com indicação geográfica própria.
A visita guiada dura cerca de uma hora e chama-se, literalmente, “do zimbro ao alambique”: vês os alambiques, percebes o processo e acabas numa prova de gins, da pomada e dos licores da casa, com produtos locais. Custa 15 euros, faz-se nos dias úteis, em espanhol ou inglês conforme a hora, e funciona todo o ano. Reserva-se online. A loja, com prova gratuita, abre sem visita.
A pomada — gin com limonada — é a bebida das festas de Sant Joan e de qualquer festa de verão da ilha. Provada aqui, no sítio onde se faz, com chuva a cair no porto, sabe a outra coisa.
Bodegas Binifadet, em Sant Lluís
A adega mais visitada de Menorca e a mais preparada para receber. Fica na estrada de Sant Lluís para Es Castell, a dez minutos de Maó, entre vinhas.
A visita guiada, em espanhol ou inglês, percorre a vinha, a sala de barricas e a cave, e termina com uma prova de três vinhos — cerca de 18 euros por pessoa. A Binifadet faz também espumantes, um vinho de Malvasia e até um vinagre que vale a pena levar. O restaurante, com terraço sobre as vinhas, funciona na época e é uma boa razão para ficar para almoço.
As visitas concentram-se entre abril e outubro. No inverno, telefona antes: há provas por marcação, mas não todos os dias. Crianças são bem-vindas; a prova é só para adultos.
Hort de Sant Patrici, em Ferreries
A quinta de queijo de Ferreries tem adega própria, e a visita guiada ao fim da tarde junta as duas coisas: queijo e vinho na mesma prova, no terraço ou na sala. Os vinhos Sant Patrici são brancos e tintos de produção pequena, e é uma das combinações mais menorquinas que se podem fazer numa tarde de chuva. Tens a visita descrita no guia das queijarias.
Binitord, em Ciutadella
Do lado de Ciutadella, a Binitord é a adega com visitas mais regulares na época, quase diárias, com prova. Fica no campo a sul da cidade, a dez minutos do centro, e é a opção lógica para quem está alojado a poente e não quer atravessar a ilha.
As adegas pequenas, por marcação
Três adegas familiares que recebem visitas só com marcação prévia, sem horário publicado, e que por isso mesmo dão a experiência mais próxima de quem faz o vinho.
Sa Forana, em Sant Climent, perto de Maó, produz cerca de treze mil garrafas por ano, com Cabernet, Merlot, Syrah e Chardonnay, e faz provas para grupos pequenos.
Vinya Sa Cudia, na estrada de Maó para Es Grau, é uma pequena adega de vinho branco de Malvasia — o “Favaritx” — que se visita por marcação e não vende no local.
Son Cremat, também no concelho de Maó, e Torralbenc, em Alaior, completam a lista; a segunda faz visitas no verão e é também um hotel de campo com restaurante.
Em todas estas, liga ou escreve com alguns dias de antecedência. É um plano que se prepara, não que se improvisa.
Onde comprar sem visitar
Se só quiseres levar garrafas, os vinhos da ilha estão nas lojas de produtos locais de Maó e Ciutadella, no Mercat des Peix de Maó e no Claustre del Carme, e no supermercado, a preços mais altos do que o vinho continental — a produção é pequena e a ilha é uma ilha. O gin Xoriguer, esse, está em todo o lado, e a garrafa clássica de asa é o souvenir mais menorquino que existe.
Como organizar a tarde
Lado de Maó: Xoriguer no cais ao início da tarde, seguida de Binifadet em Sant Lluís, a dez minutos. Se conduzes, a prova é para quem vai ao lado — e as duas visitas juntas somam mais álcool do que parece.
Lado de Ciutadella: Binitord de tarde, ou Sant Patrici ao fim do dia, a caminho de casa.
Com chuva, a combinação com um museu de manhã e uma adega à tarde é o dia de outono perfeito. E se ficares pela zona de Maó ao jantar, os restaurantes de Maó ficam a cinco minutos do cais.
As imagens deste guia são ilustrações demonstrativas, e não fotografias dos locais.
Perguntas frequentes
Por que é que Menorca produz gin?
Por causa dos britânicos, que ocuparam a ilha durante a maior parte do século XVIII e trouxeram o hábito. Os marinheiros e soldados queriam gin, e os menorquinos aprenderam a destilá-lo com aguardente de vinho em vez de cereal, o que lhe dá um perfil diferente do gin inglês. A Xoriguer, no porto de Maó, faz o gin da ilha desde 1910 e o Gin de Mahón tem indicação geográfica protegida.
O que é a pomada em Menorca?
É gin com limonada, a bebida das festas da ilha — sobretudo das festas de Sant Joan em Ciutadella. Serve-se em copo grande com gelo, e em Maó chamam-lhe gin amb llimonada. Provas nas visitas à destilaria e em qualquer bar da ilha.
Quanto custa visitar uma adega em Menorca?
Entre 15 e 20 euros por pessoa com prova incluída. A visita guiada da destilaria Xoriguer custa 15 euros; a da Binifadet ronda os 18. Nas adegas pequenas, como Sa Forana ou Sa Cudia, a visita faz-se por marcação e o preço combina-se diretamente.
As adegas de Menorca abrem no inverno?
A destilaria Xoriguer faz visitas todo o ano, nos dias úteis. A Binifadet e a maior parte das adegas concentram as visitas entre abril e outubro; no inverno há provas por marcação, mas convém telefonar. Os vinhos compram-se todo o ano nas lojas de Maó e Ciutadella.
Os vinhos de Menorca são bons?
São bons e cada vez melhores, mas produzem-se em quantidades pequenas e pagam-se em conformidade. A ilha teve vinha até à filoxera, no fim do século XIX, e só a recuperou a partir dos anos 90. Há hoje cerca de uma dúzia de adegas sob a indicação Vi de la Terra Illa de Menorca, com brancos de Malvasia e Chardonnay e tintos de Merlot, Syrah e Cabernet.
