Casas Senhoriais de Menorca: os Palácios que se Visitam
Palau Salort, Casa Olivar, Can Saura e Binissuès: as casas senhoriais de Menorca abertas ao público, o que se vê, preços e épocas. Um plano para a chuva.
Quando se pensa em Menorca, pensa-se em calas. Mas a ilha tem uma história aristocrática que quase ninguém vem à procura: durante séculos, um punhado de famílias nobres viveu das grandes propriedades agrícolas — os llocs — e construiu, sobretudo em Ciutadella, casas urbanas à altura dessa fortuna.
Muitas dessas casas ainda pertencem às mesmas famílias. Algumas abriram as portas a visitas, e é por elas que passa um dos melhores planos para um dia de chuva na ilha. Fica tudo dentro de portas, a distâncias curtas, e com a vantagem de se perceber uma Menorca que as praias não contam.
Palau Salort, em Ciutadella
É o único dos palácios do Born — a praça principal de Ciutadella — que abre ao público de forma regular, e o que mais vale a visita. A casa é do século XIX, construída sobre edifícios anteriores, e a família Salort ainda a usa.
O que se vê é uma casa de nobres tal como estava: o salão com tetos em caixotão, a sala dos espelhos, mobiliário e cerâmica de época, a lareira monumental e a que dizem ser a maior cozinha antiga de Menorca, com a bateria de cobre ainda nas paredes. Os pátios interiores explicam como estas casas se defendiam do calor de agosto.
A visita livre faz-se de manhã, de segunda a sábado, e há visitas guiadas para grupos a partir de 8 euros por pessoa. Tradicionalmente abre de maio a outubro; fora disso só com reserva de grupo. Fica na Major des Born, mesmo em frente à câmara municipal, e combina-se com o guia do que visitar em Ciutadella.
Casa Olivar, em frente à catedral
A dois minutos a pé do Palau Salort, na praça da catedral, a Casa Olivar — ou Palau Olivar — é a outra casa senhorial de Ciutadella que se visita. Continua a ser património privado, gerido por uma empresa cultural local, e é o que lhe dá o interesse: quatrocentos anos de história de uma família nos salões, na pintura, no mobiliário e no arquivo documental.
A visita livre custa 5 euros e a guiada 12; crianças até aos 10 anos não pagam. Abre de maio a outubro, de segunda a sábado, e fecha de novembro a abril. Se estás de visita à catedral de Ciutadella, sai pela porta principal e está à tua frente.
Can Saura, o palácio que virou museu
Can Saura é um palácio barroco do final do século XVII, na rua do Santíssim, a cinquenta metros do Born. Desde 2019 é a sede do Museu Municipal de Ciutadella, que antes estava no Bastió de sa Font, junto ao porto.
Aqui o interesse é duplo. Por um lado a casa — a escadaria, os salões, os tetos. Por outro, as quinze salas do museu, com as peças mais impressionantes da pré-história menorquina: os objetos de madeira e de osso encontrados na Cova des Càrritx e na Cova des Mussol, incluindo recipientes com cabelo humano tingido, únicos no Mediterrâneo. Há também uma sala sobre as festas de Sant Joan, com audiovisual, que resolve a curiosidade de quem não vem em junho.
Funciona todo o ano, com entrada simbólica (as fontes locais indicam cerca de 2,50 euros, e há dias gratuitos). É a melhor opção de Ciutadella num dia de chuva de inverno, quando os outros palácios estão fechados.
Ca n’Oliver, em Maó
Do outro lado da ilha, Maó não tem palácios de nobres — tem casas de comerciantes ricos, e Ca n’Oliver é a mais bonita delas. É uma casa do século XVIII, restaurada pela câmara, que hoje alberga o Centre d’Art i d’Història Hernández Sanz.
A escadaria com pinturas murais é a primeira coisa que impressiona. Depois vêm as salas com a coleção Hernández Sanz–Hernández Mora — cartografia antiga da ilha, gravuras, mobiliário — e uma secção sobre a Menorca britânica do século XVIII, que ajuda a perceber por que é que Maó é como é. No fim, o terraço tem uma das melhores vistas sobre o porto, que num dia de céu carregado é ainda mais dramática.
Abre todo o ano, fecha à segunda e custa cerca de 5 euros. Fica na rua Anuncivay, a dois passos da igreja de Santa Maria. Encaixa bem no guia do que ver em Maó.
Binissuès, a casa senhorial no campo
As casas de Ciutadella eram a residência de inverno. A de verão era o lloc, a propriedade agrícola, e a melhor forma de ver uma é Binissuès, em Ferreries, à saída da estrada geral para Els Alocs.
A casa dos séculos XVII e XVIII conserva os salões e a cozinha dos senyors, mas o que a distingue é o resto: um museu privado de ciências naturais com milhares de insetos, borboletas e conchas, mais de mil réplicas de cogumelos, e uma demonstração de fabrico de queijo com prova no fim. Com crianças, é a visita desta lista que melhor resulta.
O preço ronda os 15 a 19 euros e a época segura é de abril a outubro, de manhã; no inverno convém telefonar antes. Se te interessar sobretudo a parte do queijo, tens as quintas dedicadas a isso no guia das queijarias.
Os palácios que não se visitam (mas se veem)
O Born de Ciutadella tem outros palácios — Torre-Saura, Martorell, Vivó — que continuam privados. Não entras, mas a praça em si vale a pena: com chuva, as arcadas de Ses Voltes, ao lado, deixam-te ver as fachadas quase sem te molhares. Em Maó, a mesma coisa com as casas do Carrer Isabel II, atrás da igreja de Santa Maria.
Como organizar o dia
Manhã em Ciutadella: catedral, Casa Olivar e Palau Salort, com Can Saura a seguir. Está tudo num raio de duzentos metros. Almoço no mercado municipal ou num dos restaurantes de Ciutadella.
Tarde em Maó: Ca n’Oliver e o Museu de Menorca, que fica a cinco minutos a pé.
Não tentes fazer as duas cidades no mesmo dia se for para as ver a sério. Ciutadella e Maó ficam a 45 minutos de carro, e um dia de chuva é precisamente o dia em que não faz sentido andar a correr.
As imagens deste guia são ilustrações demonstrativas, e não fotografias dos locais.
Perguntas frequentes
Quais são as casas senhoriais de Menorca que se podem visitar?
Em Ciutadella, o Palau Salort (no Born), a Casa Olivar (em frente à catedral) e Can Saura (hoje museu municipal). Em Maó, Ca n'Oliver, sede do Centre d'Art i d'Història. No campo, a casa de Binissuès, em Ferreries, que junta a casa senhorial a um museu de ciências naturais. Os restantes palácios do Born de Ciutadella são privados e não se visitam.
Quanto custa visitar um palácio em Menorca?
Entre os 5 euros da Casa Olivar ou de Ca n'Oliver e os 8 a 12 euros das visitas guiadas ao Palau Salort e à Casa Olivar. Can Saura tem entrada simbólica e Binissuès ronda os 15 a 19 euros porque inclui o museu, a demonstração de queijo e a prova. Confirma sempre no local, porque os preços mudam de época para época.
Os palácios de Ciutadella abrem no inverno?
Can Saura e Ca n'Oliver funcionam todo o ano. A Casa Olivar fecha de novembro a abril, e o Palau Salort tem tradicionalmente aberto só de maio a outubro, com visitas de grupo fora dessa época mediante reserva. Se vais no inverno, conta com Can Saura, Ca n'Oliver e a catedral, e liga antes para os outros.
Por que há tantos palácios em Ciutadella e não em Maó?
Porque Ciutadella foi a capital da ilha até 1722 e era onde vivia a nobreza rural, cujas fortunas vinham das grandes propriedades agrícolas — os llocs. Quando os britânicos mudaram a capital para Maó, os nobres ficaram em Ciutadella e continuaram a construir. Maó cresceu com comerciantes, e as suas casas grandes, como Ca n'Oliver, são burguesas e não aristocráticas.
As visitas aos palácios são adequadas a crianças?
Melhor do que parece. A cozinha gigante do Palau Salort, os pátios, a sala dos espelhos e as vitrinas com objetos pré-históricos de Can Saura prendem a atenção dos miúdos. Na Casa Olivar os menores de 10 anos não pagam. O que não resulta bem com crianças pequenas são as visitas guiadas longas — escolhe a visita livre.
